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We Sing Nasty Blues (e a internet)

13/05/2012

Extensão do nome da banda de blues WSNB. Uma preciosidade que, não sei bem porquê, me faz lembrar John Lee Hooker. Este texto não será um tratado sobre a fantástica banda, até porque não conheço nada da sua história e sei muito pouco de blues; este texto será, sim, um louvor à banda e às novas tecnologias.

Meus caros, onde eu encontraria tal banda se não fosse a internet (mais concretamente as rádios online)? Bem sei que a malfadada tecnologia traz à tona "talentos" (isso mesmo, entre aspas), que melhor seria para a humanidade que nunca fossem descobertos (esses nomes não serão citados neste honroso blogue) - porém temos de analisar as coisas pelas duas perspectivas que nos são dadas.

Em primeiro lugar: é muito sabido que qualquer um faz sucesso na internet e que pouco depois é completamente esquecido; ou que, ainda, põe em causa o nosso modesto conceito de música. A questão, neste ponto, é tão simples quanto o definir do nosso gosto musical - e aqui partimos para o segundo ponto.

Em segundo lugar: há imensas (e não exagero neste adjectivo) pérolas na internet, que são verdadeiros talentos. A questão passa, obviamente, por saber procurar e saber identificá-los. Existem diversos meios que nos ajudam nesta missão: rádios online (basta encontrar uma ao nosso gosto, e nem é assim muito difícil), blogues, fóruns, cartazes de festivais (porque não?), até o próprio youtube, com os seus vídeos relacionados - as possibilidades são imensas.

A conclusão é, como decerto já o inferiram, saber recolher a informação que nos é dada. Ou, se o que nos é dado não é suficiente ou não é do nosso gosto, saber procurar mais informação. No fim, isto não passa de uma questão filosófica e de gosto pessoal.

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Falando dos WSNB, formaram-se em 2006 e, infelizmente, acabaram a formação este ano. Têm um talento enorme, conseguindo misturar o blues e o rock na perfeição (blues + rock, o que é que um simples mortal poderia mais pedir?).

A banda é completamente underground, e prova disso é o facto de os seus álbuns serem de produção independente. Como é que nenhuma editora se dedicou à banda, não sei, mas é um facto, realmente, inquietante.

Pelo que sei, eles têm dois álbuns, estando o terceiro a meio, isto é, numa fase de produção primitiva, que está agora a ser vendido no site deles - é uma edição limitada; portanto, imaginem-se daqui a umas décadas com uma extrema raridade deste tipo!

A minha parte preferida dos WSNB é mesmo a voz do saudoso vocalista, que não a consigo definir para além dos comuns adjectivos superficiais e universais como: bonita, fantástica, fabulosa, excelente, etc. Outro ponto de referência da banda são os solos de guitarra, não muito grandes e bonitos (ou seja, são electrizantes).

Fiquem com algumas músicas deles:






Too Darn Hot

19/02/2012

Too Darn Hot é uma música feita pelo Cole Porter para o musical Kiss Me, Kate, de 1948. Em 1953 faz-se uma versão cinematográfica desse musical, onde a música é cantada e dançada por Ann Miller (ver vídeo abaixo).

No filme, a parte da letra "According to Kinsey Report" foi mudada para "According To the latest report", pois a letra original foi censurada. E porque foi censurada?, perguntam os amados leitores. Porque o Kinsey Reports são dois livros sobre o comportamento sexual humano (mais info aqui).


Em 1956, Ella Fitzgerald faz uma versão da música, para o seu álbum Ella Fitzgerald Sings the Cole Porter Songbook (ver vídeo abaixo).


Stacey Kent também fez uma cover da música, no ano da graça de 2003, para o seu álbum The Boy Next Door (ver vídeo abaixo). Por curiosidade, foi a primeira versão da música que ouvi - e posso dizer que fiquei perdida de amores.


A letra da música muda consoante as versões, como seria de esperar, mas a base é esta:

It's too darn hot!
It's too darn hot!
I'd like to sup with my baby tonight,
Refill the cup with my baby tonight.
I'd like to sup with my baby tonight,
Refill the cup with my baby tonight,
But I ain't up to my baby tonight
'Cause it's too darn hot

It's too darn hot!
It's too darn hot!
I'd like to coo with my baby tonight,
And pitch the woo with my baby tonight.
I'd like to coo with my baby tonight,
And pitch the woo with my baby tonight.
But brother you fight my baby tonight
'Cause it's too darn hot

According to the Kinsey Report
Ev'ry average man you know
Much prefers his love-y dove-y to court
When the temperature is low,
But when the thermometer goes 'way up
And the weather is sizzling hot,
Mister pants for romance is not

'Cause it's too, too,
Too darn hot!
It's too darn hot!
It's too, too darn hot!
I'd like to coo with my baby tonight
And pitch the woo with my baby tonight
I'd like to coo with my baby tonight,
Pitch the woo with my baby tonight
But brother, you fight my baby tonight
'Cause it's too darn hot!

According to the Kinsey Report
Ev'ry average man you know
Much prefers his lovey dovey to court
When the temperature is low
But when the thermometer goes 'way up
And the weather is sizzling hot,
Mr. Gob for his squab,
A marine for his queen,
A G.I. for his cutie-pie is not

'Cause it's too, too,
Too darn hot!
It's too darn hot!
It's too darn hot
It's too darn hot
It's too darn hot
It's too darn hot!


*Informações retiradas da wikipédia - traduzidas e adaptadas por mim.

Kadia Blues

19/01/2012


Esta música, pelo menos para mim, representa na perfeição o ambiente de decadência retratado no Clube dos Suicidas, escrito por Robert Louis Stevenson. Tenho uma mania de, enquanto ouço uma música quando estou a ler, associá-la à história. Neste caso correu bem, como correu quando ouvia a Pellonpekko, dos Korpiklaani, enquanto lia A Ilha do Tesouro - mas isto ficará para outro post.

O desespero do rapaz que queria suicidar-se mas não tinha coragem para tal, e a busca do príncipe da Boémia pelo presidente do tal clube, mais a história do rapaz que foi ludibriado e como que obrigado a carregar um cadáver na sua bagagem - tudo isto tem que ver com a música, e a música inteira tem que ver com a história. Diria mesmo que a música retrata as misérias por que todas as personagens do livro viveram.

Tentei, quase que em vão, encontrar alguma coisa na maravilha que é a internet sobre a música e quem a toca, porém o máximo que consegui desvendar encontrei numas informações de um vídeo do youtube. Ei-las:

O novo e independente estado da Guiné, liderado por Sékou Touré, estabeleceu um número de grupos musicais, competições e festivais pelo país fora para tocar a música tradicional de Guiné, ao invés das músicas europeias que eram populares no período colonial. Orcheste de la Paillotte, liderada pelo saxofonista Kélétigui Traoré, nasceu da separação, em 1960, da Sily Orchestre National. Mais tarde, o grupo mudou o nome para Kélétigui et ses Tambourinis.

*Informação retirada daqui - traduzida e adaptada por mim.

Lord Of The Flies (não, não é o livro)

30/10/2011


Um dia destes encontrava-me a ver livros (sempre tendo na cabeça a ideia de que, efectivamente, não posso comprar mais livros) quando me deparei com o Lord Of The Flies, de William Golding.

O meu comentário para mim mesma, dito muito baixo, até porque estava sozinha, e com um sorriso estampado na cara, foi este: “Ah, é a música dos Iron Maiden!”. Fielmente assim, foi o meu comentário. Não foi um “Oh, este livro é tão famoso” ou “Já ouvi falar deste livro”, nem o meu tão típico “Parece interessante…”.

O comentário que fiz para mim mesma quando vi o livro só comprovou o facto de ele ser cativante e belo, porque, muito honestamente, não creio que os Iron Maiden fizessem uma música sobre um livro que seja mau.

Não foram raras as vezes em que eu comentei isto ao ver ou ler um livro pela primeira vez, é verdade. Pessoa ignorante como eu, não é de admirar que o meu primeiro contacto com certos livros seja através das músicas duma banda de heavy metal. Posso ser literariamente inculta, mas pelo menos tenho bom gosto musical.

Desviando o assunto da literatura por um momento: é por esta razão que gosto dos Iron Maiden (há mais motivos, mas não interessam para este texto e não me apetece enumerá-los), são cultos, gostam de ler e são talentosos o suficiente para fazer músicas sobre o que lêem.

Reconheço que seja difícil fazer músicas sobre o que se lê, e sei-o por experiência própria. Tentei fazer o dito engenho com “Juventude”, de Joseph Conrad, e o máximo que consegui fazer foi um belíssimo título: “Youth” que, curiosamente, é o título original do livro, pelo que não fiz quaisquer progressos...

Regressando aos assuntos literários: como os caros leitores puderam verificar, e como eu já disse anteriormente, existir músicas sobre livros é uma grande e esplendorosa ideia para incentivar a leitura. O que é realmente pena é que ninguém ouça os Iron Maiden e que a banda faça músicas sobre livros que ninguém lê (exactamente, os ditos clássicos)…

Murders In The Rue Morgue

13/05/2011

Desengane-se quem pensa que literatura é uma arte por si só na medida em que não se pode associar a outras formas de expressão artística (para além, obviamente, dos filmes). Qualquer arte pode pegar na literatura e fazer o que quiser com ela, digamos assim. A música é um belo exemplo disso, já que existem músicas que são baseadas em livros.

Decerto que Murders In The Rue Morgue não é um nome estranho aos leitores. A famosíssima narrativa de Edgar Allan Poe conta a história de um brutal assassinato protagonizado por um gorila que estava a imitar o seu dono a barbear-se (sim, isto foi um spoiler, mas não retira emoção à história). De destaque nesta breve narrativa, para além das extraordinárias deduções de Dupin, é o horror que é característico a Poe, transmitido pelas suas descrições.

A história inspirou os Iron Maiden a fazerem uma música fantástica, com o mesmo nome. É curioso reparar na música e compará-la com a história, principalmente o seu ritmo rápido que demonstra o medo e hesitação do principal suspeito (o dono do animal) ao mesmo tempo que contrasta com o ambiente sombrio do local do assassinato descrito por Poe. Não há que dar demasiada atenção a este último aspecto, uma vez que a música apenas fala da perspectiva do suspeito, na medida em que a história original o permitiu.

Claro que a música não é uma réplica fiel da história, e não podemos, só por ouvi-la, dizer que já conhecemos a narrativa de trás para a frente (já que não conta a historiazinha toda). Contudo, é um bom incentivo para a descoberta da obra de Poe – e vice-versa.

É caso para dizer que Edgar Allan Poe e Iron Maiden foram as melhores coisas que nos aconteceram. A tão falada música:

*Música presente no álbum Killers, de 1981. Neste mesmo álbum também está presente uma continuação da música, Innocent Exile.
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