Image Map
Mostrar mensagens com a etiqueta Todos os Nomes. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Todos os Nomes. Mostrar todas as mensagens

Todos os Nomes, de José Saramago

21/07/2013

*O texto tem spoilers.

Imagem daqui.

Em poucas palavras, este é um livro arrebatador que relata a história de um funcionário da Conservatória Geral do Registo Civil que procura obstinadamente uma mulher que nunca viu na vida, conhecendo apenas o que consta no verbete do seu registo (que, acidentalmente, foi parar às mãos do Sr. José, o dito funcionário, a única personagem com nome deste romance).

O Sr. José faz colecção de recortes de revistas, jornais, etc. sobre pessoas famosas e, sentindo que a sua colecção é, de certo modo, defeituosa, decide completá-la com os registos que constam nos verbetes da Conservatória, à qual tem acesso através da sua casa.

É numa dessas buscas para complementar a sua colecção que, sem querer, o Sr. José acaba por levar consigo o verbete de uma mulher comum de trinta e seis anos, no qual «constam dois averbamentos, um de casamento, outro de divórcio».

«Como este verbete há de certeza centenas no ficheiro, senão milhares, portanto não se compreende por que estará o Sr. José a olhar para ele com uma expressão tão estranha, que à primeira vista parece atenta, mas que é também vaga e inquieta, possivelmente é este o modo de olhar de quem, aos poucos, sem desejo nem recusa, se vai desprendendo de algo e ainda não vê aonde poderá deitar a mão para tornar a segurar-se. Não faltará quem venha a apontar supostas e inadmissíveis contradições entre inquieto, vago e atento, são pessoas que se limitam a viver assim como assim, pessoas que nunca se encontraram com o destino pela frente.»

De facto, a partir do momento em que o Sr. José tem o verbete da mulher desconhecida, o seu destino passará a ser outro, resumir-se-á à procura da mulher, à obsessão que parece não ter fim. Nem ele próprio consegue perceber as razões da sua obstinada busca. Saramago define-a como uma «angústia metafísica» (se bem que referindo-se à colecção do funcionário); mais tarde, no final do romance, o tecto da casa do Sr. José aponta o amor como a causa principal dessa investigação.

«Que não tinhas nenhum motivo para ires à procura dessa mulher, a não ser, A não ser, quê, A não ser o amor, É preciso ser-se tecto para ter uma ideia tão absurda, Creio ter-te dito alguma vez que os tectos das casas são o olho múltiplo de Deus, Não me lembro, Se não to disse por estas precisas palavras, digo-o agora, Então diz-me também como poderia eu gostar de uma mulher a quem não conhecia, a quem nunca tinha visto, A pergunta é pertinente, sem dúvida, mas só tu é que poderás dar-lhe a resposta, Essa ideia não tem pés nem cabeça, É indiferente que tenha cabeça ou tenha pés, falo-te doutra parte do corpo, do coração, esse que vocês dizem ser o motor e a sede dos afectos, Repito que não podia gostar de uma mulher que não conheço, que nunca vi, salvo em alguns retratos antigos, Querias vê-la, querias conhecê-la, e isso, concordes ou não, já era gostar, Fantasias de tecto, Fantasias tuas, de homem, não minhas (…)»

O Sr. José não olha a meios para encontrar a mulher desconhecida ou, na melhor das hipóteses, encontrar informações sobre a sua vida: falsifica credenciais, invade a Conservatória, assalta uma escola (na qual encontra retratos da mulher), entrevista pessoas.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...