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Regresso de Sherlock Holmes III, de Arthur Conan Doyle

09/10/2011

*Os resumos contêm spoilers.
*Os títulos das histórias são links para lerem as mesmas.
*Estas histórias fazem parte do conjunto de contos "Regresso de Sherlock Holmes". Na colecção da Global Notícias, é o volume 10 (Regresso de Sherlock Holmes III).

Watson, Holmes e Milverton

Charles Augustus Milverton – ora aqui está uma história que talvez merecesse mais umas dezenas de páginas a contá-la, porque é simplesmente extraordinária e viciante. Rectificando a minha ideia, a história está boa como está – e é talvez pelo facto de ser curta que a torna excepcional.

Sherlock Holmes espera Charles Augustus Milverton, um afamado chantagista de Londres, que ganha a vida a tornar a vida dos outros miserável. Holmes tenta apelar para o bom senso do chantagista, a pedido da sua cliente, Lady Eva Blackwell.

Em suma, Milverton tem em sua posse umas cartas que pode acabar com o noivado de Lady Eva e pede por elas um preço exacerbado de 7000 libras (quando a jovem pode somente pagar 2000). Holmes tenta convencer Milverton a aceitar o preço ou a devolver a carta, mas falha no seu intento.

Claro que o detective não se dá por vencido. Faz-se de canalizador e fica noivo duma criada de Milverton, conhecendo a sua casa como a palma da sua mão. Decide, então, invadir a casa e roubar-lhe as cartas.

E é aqui a história se torna verdadeiramente extraordinária. Holmes e Watson invadem a casa de Milverton e são bem sucedidos no que fazem. Essa mesma invasão está descrita duma forma tão exímia, que o leitor sente o nervosismo e o medo, como se estivesse ele próprio a quebrar a lei.

Porém, o carácter excelente da narrativa não termina por aqui. Holmes consegue arrombar o cofre mas, a meio do seu serviço, ouve Milverton a dirigir-se ao escritório, pelo que Holmes e Watson escondem-se atrás das cortinas.

Milverton estava à espera de uma senhora, cuja vida foi arruinada por ele. O homem ri-se na cara da senhora, dizendo que nada poderá fazer contra ele, contudo o que ele menos espera é que a senhora tire um revólver e que o mate. Quando a senhora deixou o escritório, Holmes pega nos documentos todos que estavam no cofre e queima-os. Tanto ele como Watson fogem da casa, e Watson quase que é apanhado.

No dia seguinte, Lestrade encontra-se com Holmes para que este o ajude a resolver o caso do assassinato de Milverton, mas o detective recusa, dizendo que está do lado do criminoso e não do da vítima. A bem dizer, justiça foi feita.


O Atleta Desaparecido – esta é outra história que faz parte do pequeníssimo grupo dos casos normais que Sherlock Holmes já resolveu. Um atleta desapareceu na véspera de um jogo e o capitão de equipa procura Holmes para ajudá-lo.

Holmes acaba por descobrir um telegrama que o rapaz enviara ao Doutor Leslie Armstrong, de Cambridge. Vai àquele consultório médico com Watson, mas o doutor nada lhe diz. Então, Sherlock e Watson acomodam-se num hotel em frente ao consultório (que coincidência agradável), e o detective põe-se a vigiar e a seguir o médico, sem resultado.

Sherlock Holmes, numa manhã, injecta essência de anis numa das rodas de trás da carruagem do médico e põe um cão de caça a seguir o rasto, que leva a ele e Watson a uma casa abandonada. Lá, ouvem um gemido e depois um grito. Seguem o barulho e deram de caras com uma jovem morta na sua cama e o atleta desaparecido.

Nisto, aparece Armstrong, que ficou furioso com Holmes mas, ao aperceber-se da sua boa intenção, conta-lhe o sucedido: o atleta, na sua época em Londres, apaixonou-se e casou-se com uma rapariga, mas nada contou ao seu tio – caso contrário perderia a herança.

A sua mulher ficou doente, com tuberculose, mas o médico não lhe revelou o facto. Contudo, o pai da jovem foi avisar o seu marido, que foi a correr ao encontro da mulher e ficou de joelhos, ao lado da cama, até a jovem falecer.

Regresso de Sherlock Holmes II, de Arthur Conan Doyle

11/09/2011

*O resumo contém spoilers.
*Estas histórias fazem parte do conjunto de contos "Regresso de Sherlock Holmes". Na colecção da Global Notícias, é o volume 6 (Regresso de Sherlock Holmes II).


A Casa Vazia – esta é uma história com várias histórias dentro. Mas comecemos pelo princípio, com o regresso de Sherlock Holmes. Como os amigos leitores certamente estarão lembrados, em O Problema Final, foi-nos narrado que Sherlock Holmes caiu de um precipício com Moriarty – e daí deduz-se que morreram os dois.

O que foi que não aconteceu. Quem caiu no abismo foi Moriarty e Holmes, a bem dizer, ficou a vê-lo cair. O detective forjou a sua morte porque sabia que os cúmplices de Moriarty iriam atrás dele.

Como é sabido, Conan Doyle matou Holmes porque não queria continuar as suas histórias, mas protestos de leitores tristes e amargurados fizeram com que o escritor desse novamente vida ao detective – e nós só podemos estar gratos por isso.

Esta é uma parte da história. A outra parte, envolve o caso do assassinato de Ronald Adair. O caso é resolvido da seguinte maneira: Holmes e Watson esperam numa casa vazia que está em frente ao seu apartamento na Baker Street, ficando no apartamento uma réplica do detective. Enquanto esperam, ouvem passos na casa, e um homem entra na divisão onde Holmes e Watson estavam. Esse mesmo homem debruça-se sobre a janela e atira para a janela do apartamento do detective.

Sherlock, então, atira-se sobre o homem e Watson, vendo que Holmes não conseguia debater-se com ele, dá-lhe com a sua arma na cabeça. Entretanto, dois polícias chegam e prendem o homem, que era o coronel Moran (um dos cúmplices de Moriarty). A acusação? Não foi a tentativa de homicídio de Sherlock Holmes, mas sim o assassinato de Adair.

Para terminar, convém dizer que esta história é ligeiramente diferente das restantes sobre o detective: aqui, não nos é apresentado o processo de investigação (os inquéritos, as saídas de Holmes, as suas vigias, etc., etc.).


O Construtor de Norwood – Um rapaz chamado John McFarlane, advogado, procura Sherlock Holmes, para que este o ajude a livrar-se duma acusação injusta de assassinato.

Desesperadamente, o jovem conta a sua história: o senhor Oldacre, famoso e endinheirado construtor de Norwood, contactou o advogado para que este legalizasse o seu testamento. Esse mesmo testamento declarava que deixava a fortuna toda do construtor para McFarlane, devido a Oldacre ter conhecido os seus pais na juventude e de não ter parentes vivos. Demais, o construtor pede ao jovem para jantar em sua casa para resolver uns assuntos, com o compromisso de nada dizer aos seus pais. McFarlane vai a casa de Oldacre, janta e, na hora de se ir embora, esqueceu-se da bengala – que o construtor prometeu devolver-lhe depois.

John McFarlane dorme num hotel nas redondezas e, ao apanhar o comboio de regresso à sua cidade, lê o jornal e depara-se com a aterradora notícia de que Oldacre foi assassinado e carbonizado – e de que é o principal suspeito. Assim sendo, dirige-se a Sherlock Holmes, sendo já perseguido por Lestrade e companhia.

Lestrade prende o rapaz pelos motivos óbvios: a sua bengala estava no local do crime e, ainda por cima, acabara de lucrar com a morte do homem. Entretanto, Sherlock Holmes parte para a sua investigação e, primeiramente, só fica a saber que a mãe do jovem fora noiva de Oldacre, mas rejeitou-o (por ser má pessoa… e por atirar gatos para o aviário e divertir-se com isso).

Todas as evidências, e o curso das investigações policiais que chegam a descobrir uma impressão digital de McFarlane onde antes não estava, levam a crer que o jovem advogado é culpado pela morte de Oldacre. E Lestrade não pode deixar de gozar com Holmes por lhe levar a melhor.

Enquanto isso, Holmes sabe que a impressão digital colocada na casa de Oldacre é a prova da inocência do rapaz. Não vou contar o fim da história, porque senão estraga-se a surpresa (e é mesmo surpresa), apenas convém dizer que McFarlane era inocente e que Holmes tinha razão, resolveu o caso e ainda teve tempo de rir de Lestrade. É que quem ri por último ri melhor…


Os Dançarinos – todos ou quase todos os casos que Holmes resolve são estranhos, e este não é excepção. E se esta história não figura no topo da lista dos casos mais estranhos, certamente está no topo da lista dos casos mais curiosos.

O senhor Hilton Cubitt foi procurar Holmes devido ao seguinte: encontrou no peitoril da sua janela uns bonecos (aqueles que são feitos com linhas) e, desde aí, a sua mulher ficou agitada e, até, aterrorizada.

Mas comecemos pelo princípio: o senhor Cubitt conheceu a sua mulher, que é americana, em Londres. Passado pouco tempo, ficaram noivos e casaram-se, com a seguinte condição da parte a noiva: que Cubitt nada lhe perguntasse sobre o seu passado, apesar de não ter feito nada de que o pudesse envergonhar.

Quando a sua mulher recebeu uma carta dos EUA, começou a ficar preocupada. Um mês depois, começaram a aparecer os bonecos desenhados e aí é que realmente a senhora ficou agitada. Holmes, todavia, não pode fazer nada, e apenas recomenda que Cubitt regresse a casa e que o torne a ver quando houver novidades. Passados alguns dias, Holmes recebe novidades do seu cliente: mais desenhos apareceram.

Quando Holmes se apercebe da gravidade do assunto (apesar de parecer uma brincadeira por causa dos bonecos), corre para Norfolk, mas quando lá chega recebe a notícia de que o senhor Cubitt foi assassinado pela mulher e que a mulher tentou suicidar-se, mas sobreviveu.

Contudo, o que as investigações revelam é que houve uma terceira pessoa no local do crime. Holmes acaba por apanhar o criminoso, que era o antigo noivo da mulher de Cubitt – que, no entanto, não tinha intenções de magoar ninguém: atirou em Cubitt porque ele apareceu e lhe apontou a arma. Quanto à sua antiga noiva, apenas queria que fugisse com ele, o que ela não aceitou por ser criminoso procurado (desde a altura em que eram noivos).

Sherlock Holmes não conseguiu evitar uma tragédia, mas vingou a morte de Cubitt. Quanto à mulher, recuperou dos ferimentos.

*Os dançarinos são os bonecos.

Regresso de Sherlock Holmes I, de Arthur Conan Doyle

06/09/2011

*O resumo contém spoilers
*Estas histórias fazem parte do conjunto de contos "Regresso de Sherlock Holmes". Na colecção da Global Notícias, é o volume 4 (Regresso de Sherlock Holmes I).

A Escola do Priorado – diferentemente do que nos tínhamos habituado a ler, esta história não tem aquele teor extraordinário, estranho e curioso como têm as outras. Podemos até afirmar que é uma história normal, tendo em consideração as que por aqui já foram descritas. Obviamente que, por o caso que Sherlock Holmes resolve ser normal, não quer dizer que não seja interessante.

O caso: Thorneycorft Huxtable, professor da escola do priorado, pede ajuda de Holmes no caso do desaparecimento do Lord Saltire, filho único do duque de Holdernesse, o maior e mais rico súbdito da Coroa – que desapareceu na sua escola. Para além do rapaz, desapareceu também o professor de alemão e a sua bicicleta. Todos os indícios confirmam que o rapaz saiu de livre vontade, e que o professor de alemão foi atrás dele.

Nas suas buscas, Holmes descobre o corpo do professor, cuja morte foi causada por um ferimento na cabeça. No curso das investigações, que são muito pormenorizadas e difíceis de transcrever para aqui, Holmes descobre o paradeiro do rapaz.

O filho ilegítimo do duque (acabando por ser secretário do pai), mantinha um ódio pelo Lord Saltire. O seu plano era simplesmente que o seu pai excluísse o menino do testamento, como forma de resgate – e para isso arranjou como cúmplice o dono da estalagem perto da mansão. Porém, os seus planos foram interrompidos quando soube da morte do professor, e foi obrigado a confessar tudo ao pai.

Holmes apenas afirmou que nada diria à polícia sobre o sucedido (desde que justiça fosse feita), e já que o duque não desejava qualquer escândalo; mas o dono da estalagem iria pagar pelo seu crime.


Pedro Negro (Black Peter) – outra história que é diferente, desta vez pelo crime cometido ter sido hediondo e bruto, ainda mais do que a própria vítima.

Peter Carey, homem que em vida foi detestável, marinheiro e que raramente fumava, foi encontrado morto na sua cabana: foi preso na parede por um arpão. O inspector Hopkins, que está a resolver o caso, encontra no local do crime uma tabaqueira com as iniciais PC e um bloco de notas com as iniciais JHN, que contém dados sobre as cotações da bolsa de valores. Hopkins pede a ajuda de Holmes, se bem que com o bloco de notas já está a meio caminho andado para descobrir o criminoso (faltando só descobrir o significado de JHN).

Quando Holmes, Watson e Hopkins vão examinar o local de crime, o polícia descobre que tentaram abrir a porta – então Holmes sugere ficarem à espera da pessoa que queria entrar na cabana, já que voltaria nessa noite (porque não conseguiu abrir a porta na noite anterior).

A pessoa de quem os três estavam à espera chama-se John Hopley Neligan. Em suma, a sua história foi esta: foi à cabana de Carey apenas para ver o seu diário de bordo, pois pensava que encontraria alguma pista sobre o seu pai (banqueiro que partiu para a Noruega com várias acções, no tempo em que Carey partia com o seu baleeiro), porém afirma que nada teve que ver com o crime que foi cometido.

O inspector Hopkins, contudo, não acredita nele e prende-o. Mesmo assim, Sherlock Holmes sabe que o rapaz está inocente e continua com a sua própria investigação, cujo resultado foi: o marinheiro foi morto pelo arpoeiro Patrick Cairns, que no tempo em que estava no baleeiro viu Carey atirar o pai de Neligan ao mar e, consequentemente, ficar com uma caixa que este tinha. Patrick foi ao encontro de Carey para poder chantageá-lo e receber algum. Num dia, combinaram tudo; dois dias depois, como tinham combinado, Cairns encontrou Carey, mas este estava bêbado e furioso, ameaçando-o com uma faca. Assim, Patrick pegou no arpão que estava na parede na cabana e atirou contra Carey.

Com isto tudo, Hopkins aprendeu uma lição: formular sempre duas hipóteses (ou quantas forem possíveis) e tentar provar qual a verdadeira.

A Ciclista Solitária, de Arthur Conan Doyle

03/09/2011

*O resumo contém spoilers
*Esta história faz parte do conjunto de contos "Regresso de Sherlock Holmes". Na colecção da Global Notícias, é o volume 4 (Regresso de Sherlock Holmes I).




Outra história que é curiosa e estranha. Aliás, não há caso que Holmes resolva que não é curioso e/ou estranho. Mas esta história é singular, na medida em que o caso a resolver, ao princípio, parece tal maneira insignificante que nem sabemos como Holmes o aceitou. 

O caso é o seguinte: o pai da jovem Violet Smith faleceu, ficando ela e a mãe sozinhas, sendo o único parente vivo um tio que estava na África do Sul. Recebendo a notícia de que o tio tinha morrido, lêem no jornal um anúncio a procurar mãe e filha. Pensando que se tratava duma herança, a jovem dirige-se ao escritório de advogados que estava mencionado no anúncio, e lá encontra Mr. Woodley, que não lhe agrada, e Mr. Carruthers, senhor mais simpático. Em suma, os dois dizem-lhe que eram amigos do seu tio e que este queria que as suas familiares não passassem necessidades, apesar de não possuir qualquer fortuna. Assim sendo, Mr. Carruthers oferece emprego à jovem, que tinha que ensinar a sua filha a tocar piano, pagando-lhe nada mais, nada menos que 100 libras por ano. 

A jovem aceita o emprego, e tem ainda a vantagem de visitar a sua mãe aos fins-de-semana. Quando Mr. Woodley passa uma semana na casa do amigo, decide fazer corte à jovem, chegando mesmo a agarrá-la e a obrigá-la a beijar-lhe (coisa que Mr. Carruthers impede). Posto isto, os senhores discutem e Mr. Carruthers fica bastante agitado. 

Numa das suas habituais viagens de bicicleta até à estação, numa estrada completamente deserta, a jovem começa a ser seguida por um homem de barba preta. A jovem, naturalmente, fica incomodada, pois é seguida todas as vezes que viaja pela estrada deserta, e decide, então, pedir aconselhamento de Sherlock Holmes – que nada pode fazer a não ser dizer-lhe que o mantenha informado. 

Holmes, contudo, não deixa o caso de parte e encarrega Watson de vigiar a estrada e tentar descobrir quem mora na mansão que fica lá por aqueles lados. Watson faz o que pode, mas apenas verifica o que já foi contado: que a jovem é seguida e que o homem que a segue esconde-se pelos lados da mansão. A única novidade que Watson traz da sua excursão é o facto de o dono da mansão chamar-se Williamson. 

Sherlock fica desapontado, pois assim não pode descobrir nada. Nisto, recebe uma carta da sua cliente a informar-lhe que foi pedida em casamento pelo seu patrão, e que recusou o pedido por já ser noiva. Sendo assim, resolve ir ele próprio tentar descobrir indícios que o ajudem a resolver o caso. 

E que meios usa para descobrir os indícios? Uma taberna, pois segundo Holmes não há sítio melhor para se saber dos mexericos da vila. O detective descobre coisas interessantes: o dono da mansão é, de facto, Williamson, que foi padre mas acabou por ser expulso, e que recebe visitas constantes de Woodley. Então, Woodley, que estivera a ouvir a conversa, depara-se com Holmes e quer saber o porquê do interrogatório. Começa uma luta – e escusado será dizer que Holmes saiu menos ferido que o outro, devido ao facto de ser perito em boxe. 

Passado pouco tempo, Holmes recebe uma carta de Violet Smith a dizer que vai deixar definitivamente a casa de Mr. Carruthers, pelo constrangimento que é trabalhar lá por causa do pedido de casamento. Holmes sabe que algo de terrível está prestes a acontecer, e encaminha-se com Watson para acompanhar a rapariga até à estação. 

Mas quando lá chegam, é tarde demais. Apenas encontram o homem que seguia a jovem, que revela que a seguia para a proteger de Williamson e de Woodley. Sendo assim, vão os três à procura da jovem. Quando estão no meio do arvoredo, ouvem um grito. Acabam por encontrar a jovem com um lenço na boca, Williamson e Woodley. O ex-padre estava a casar a rapariga à força com Woodley. O homem que seguia a rapariga era, afinal, Carruthers, que atirou sobre Woodley. 

O caso foi este: Woodley e Carruthers estavam na África do Sul quando conheceram o tio da jovem. A verdade é que o seu tio lhe tinha deixado uma grande fortuna, então os senhores decidiram que um deles se casaria com a jovem e daria parte da fortuna a outra. A sorte calhou a Woodley, que enquanto a rapariga estivesse na casa de Carruthers, estava encarregue de lhe fazer a corte – o que não deu resultado. Entretanto, Carruthers apaixona-se pela rapariga, deixando o pacto de parte – e, receando pela jovem, começa a segui-la para protegê-la. 

A história até acabou bem, já que Violet Smith casou-se com o seu noivo e herdou a fortuna que era sua de direito e os outros foram presos: Woodley e Williamson por sequestro e tentativa de estupro e Carruthers por tentar matar Woodley. 

Esta história é deveras fascinante de se ler. No início, Watson revela que escolheu apresentar esta narrativa por ter o seu quê de dramaticidade, e a verdade é que daria um óptimo filme. 

*Podem ler a história aqui.
*A imagem foi retirada daqui.

Memórias de Sherlock Holmes II e III, de Arthur Conan Doyle

18/08/2011

Estas histórias fazem parte do conjunto de contos "Memórias de Sherlock Holmes". Na colecção da Global Notícias, são os volumes 5 e 12 (Memórias de Sherlock Holmes II e Memórias de Sherlock Holmes III).

A tragédia do Gloria Scott

Todos nós sabemos, quer por experiência própria, quer por aconselhamento de outra pessoa, que as histórias de Sherlock Holmes são fáceis de ler e de acessível compreensão. Mas não pensem que, por as histórias serem assim, significa que não sejam complexas.

E a prova de serem complexas é que é bastante difícil fazer um resumo delas para colocar aqui no blogue. São os métodos de Sherlock Holmes, o que levou o indivíduo a cometer a crime, quem foram as vítimas, quem foi o cliente que procurou o detective e como foi prejudicado (se o foi), as pistas que Holmes segue e como apanha o criminoso, as descrições de Watson sobre os hábitos de Holmes…

Assim sendo, apenas deixo aos leitores links para as histórias. Até porque, é melhor lê-las do que ler resumos rascas que eu faço…



*Não, não me apeteceu fazer resumos...

Aventuras de Sherlock Holmes II e III, de Arthur Conan Doyle

03/08/2011

*Os resumos contêm spoilers.
*Os títulos das histórias são links para lerem as mesmas.
*Estas histórias fazem parte do conjunto de contos "Aventuras de Sherlock Holmes". Na colecção da Global Notícias, são os volumes 7 e 11 (Aventuras de Sherlock Holmes II e Aventuras de Sherlock Holmes III).


A Liga dos Cabeça Vermelha – Até agora, foi a história de Arthur Conan Doyle mais cómica que li. Não pela maneira como escreve, não pela maneira como Sherlock Holmes resolve o mistério ou como o seu cliente vai ter com ele, mas simplesmente pelo caso que Holmes tem que resolver.

Um senhor de cabelo vermelho (pois…) perdeu o seu emprego de uma maneira abrupta – chegou ao seu escritório e leu um aviso na porta de que a “empresa” onde trabalhava foi dissolvida. Perguntou nos escritórios adjacentes pelo seu patrão, porém ninguém o conhecia. Como o emprego era bom, pagava bem, e simplesmente consistia em copiar a Enciclopédia Britânica pela manhã, o senhor Wilson resolve pedir a ajuda de Holmes.

Chega a Holmes com um anúncio curioso de um jornal, que procurava um empregado de cabelo vermelho para a Liga dos Cabeça Vermelha. O ajudante do senhor Wilson convenceu-o a aceitar o emprego. Sherlock Holmes decide ver as imediações da casa/loja do seu cliente e chega a conclusões certeiras: a Liga dos Cabeça Vermelha foi uma invenção de um afamado criminoso para ter acesso à casa de Wilson e cavar um túnel até ao banco, que ficava no outro lado da rua.

Contudo, nem tudo é mau: o mistério foi resolvido a tempo e o senhor Wilson “ganhou mais umas trinta libras, para não falar dos grandes conhecimentos que adquiriu de todos os assuntos mencionados sob a letra A. Por isso não teve prejuízo.”


Um Caso de Identidade – Se a história anterior foi cómica devido à natureza do crime, esta é o exacto oposto e chega mesmo a ser triste. Mary Sutherland procura Sherlock Holmes para que este a ajude a descobrir o paradeiro do seu noivo desaparecido, que desapareceu no próprio dia do casamento.

Mary conta a sua história: é dactilógrafa e recebe anualmente uma herança da parte do seu pai que faleceu, mas quem usufrui dessa herança é a sua mãe e o seu padrasto. Conheceu o seu noivo numa festa que o seu padrasto a proibiu de ir. Contudo, tanto ela como o noivo correspondiam-se, mas as cartas dele eram sempre dactilografadas, assinadas à máquina e Mary nunca chegou a saber da morada do seu noivo, nem mesmo onde trabalhava.

Apenas se viam pessoalmente quando o seu padrasto estava em viagens de trabalho, e o seu noivo fê-la jurar amor eterno e que nunca o trocaria por ninguém. O noivado teve a aprovação calorosa da mãe de Mary.

Holmes escreve umas cartas para aqui e acolá e descobre que o noivo de Mary trabalha onde trabalha o padrasto de Mary. Com a descrição que Mary lhe fez do noivo e umas perguntas no local de trabalho do seu padrasto, chega a uma conclusão aterradora: o noivo era o padrasto de Mary disfarçado. O porquê é bastante óbvio: queria continuar a receber a herança da enteada.


As cinco sementes de laranja – Esta história parece-nos bastante estranha ao princípio mas, como sempre, revela-se com muita lógica. Porém, apenas se revela com lógica porque Watson nos faz o favor de descrever o raciocínio de Holmes.

Ao longo das histórias, Holmes vai “renunciando” a sua reputação de ser um ser extraordinário, argumentando que apenas observa os factos. E tem razão. Podemos chamar-lhe um génio, mas não podemos esquecer o facto de que ele somente observa os acontecimentos e os pormenores e tem um conhecimento de certas áreas que o tornam um especialista – e isso dá-lhe uma vantagem sobre os outros comuns mortais.

Um jovem apavorado vai ao encontro de Sherlock Holmes numa noite tempestuosa e, naturalmente, conta ao detective o que lhe sucedeu. Numa maneira bastante resumida, o caso do jovem é o seguinte: tanto o seu tio (que viveu nos EUA) como o seu pai foram mortos depois de receberem uma carta com cinco sementes de laranja, cujo sobrescrito dizia apenas K.K.K. (no caso do pai do jovem, a carta vinha com uma nota).

O jovem foi ao encontro de Holmes porque recebeu a mesma carta e, como aconteceu com o seu pai, a carta continha uma nota a avisá-los de que “os papéis” deveriam ser postos no relógio de sol. Acontece que, tristemente, os papéis tinham quase todos sido queimados pelo seu tio. Que lhe aconselha Sherlock Holmes, então?

Aconselha-o a colocar o papel que sobrou sobre o relógio de sol e uma nota a informar o remetente das cartas de que os restantes papéis já não existiam. O jovem, agradecido, vai-se embora.

Holmes, depois do jovem sair, começa a investigação. Vai à sua Enciclopédia Americana e encontra a entrada Ku Klux Klan (KKK). O KKK estava descoberto e, a partir daí, foi fácil descobrir o motivo da morte dos dois homens: os papéis eram incriminatórios e importantes.

Na manhã seguinte, Holmes sabe pelo jornal que o jovem morreu. Tanto o jovem como o seu pai nada tiveram que ver com os papéis. Mesmo assim, o detective tenta apanhar os criminosos e consegue descobrir que eles iriam estar a bordo num navio. Então, resolve enviar-lhes também umas sementinhas. Contudo, os criminosos nunca chegaram a receber a carta de Holmes.

Como uma espécie de consolação, resta-nos saber que o navio onde iam os criminosos naufragou.


O Homem do Lábio Torcido – Mais uma história um tanto quanto cómica, devido ao caso que Sherlock Holmes tem que resolver. Desta vez, ajuda a senhora St. Clair.

Watson encontra Holmes numa casa de ópio. Enquanto Watson foi buscar um paciente seu, Holmes estava a investigar o caso. Torna-se óbvio que, a pedido do seu amigo, Watson junta-se a ele para o ajudar a resolver o caso.

E qual é o caso? De maneira concisa, é o seguinte: a senhora St. Clair estava a passear na Swandam Lane quando viu o seu marido numa janela dum prédio – muito curiosamente, no prédio da casa de ópio. Ficou admirada, porém a sua admiração aumentou quando o marido gritou e foi puxado para trás.

Tentou ver o que se passava, mas o dono da casa de ópio não a deixou passar. A senhora St. Clair foi chamar a polícia e conseguiram ir até ao aposento onde tinha visto o seu marido. Não havia sinais do marido, a não ser a sua roupa (menos o casaco), estando no quarto um mendigo de lábio torcido que negou ter visto o que quer que seja. A polícia encontra vestígios de sangue e pensa que é de St. Clair e prende o sujeito.

A senhora St. Clair pede então a ajuda de Sherlock Holmes. O desfecho da história é deveras fantástico: o mendigo é St. Clair e não foi cometido crime algum. Como é que Holmes chegou a essa conclusão? Sentado em almofadas – e mais não nos é dito.


A Faixa Malhada – Se já aqui foram descritas, decerto, histórias estranhas, talvez seja esta a que apresenta uma maior estranheza. Não é de espantar, uma vez que Sherlock Holmes gosta mais de resolver estes casos intrincados.

Helena Stoner foi consultar o detective para resolver um mistério que envolvia a sua irmã gémea, morta dois anos antes, e a própria. Começou por contar a história da sua vida – o que, como temos visto até agora, revela-se sempre importante na resolução do caso. O que interessa para aqui: o seu padrasto foi médico na Índia e gosta de animais exóticos daquele país; a mãe das jovens morreu e elas receberam uma herança.

A jovem contou que pouco antes do casamento de sua irmã, esta foi ao seu quarto por causa do cheiro forte a tabaco que vinha do quarto do padrasto (os quartos eram contíguos) e ficaram a conversar. A sua irmã perguntou-lhe se costumava ouvir um assobio fraco durante a noite, e a resposta foi negativa. Nessa mesma noite, Helena ouviu um grito aterrorizado da sua irmã e foi ajudá-la. A rapariga apenas apontava para o quarto do padrasto e gritava “a faixa malhada” – não tardou muito para que morresse.

Passaram-se dois anos e agora Helena começou a ouvir o assobio. Sherlock Holmes decide, então, ir a sua casa para ver como as coisas andam. Como a casa está em obras, Helena está no quarto que está a sua irmã. Chegou à conclusão de ninguém poderia ter matado a jovem porque não dava para entrar pela janela ou pela porta e reparou num pequeno ventilador.

O detective aconselhou a jovem dormir no seu quarto naquela noite, enquanto ele e Watson ficariam de vigia no quarto contíguo ao quarto do seu padrasto. A determinada altura, ouviram um assobio e Holmes começou a bater com força em qualquer coisa.

Essa coisa era uma cobra, que matou o seu dono. E o caso ficou resolvido: o padrasto de Helena queria matá-la, tal como fez com a irmã, para continuar a receber a herança e, para esse fim, usou a cobra malhada que treinou.


O Solteirão Nobre – Mais um caso que envolve um casamento. Desta vez, Lord St. Simon pede ajuda de Holmes porque a sua noiva desapareceu no próprio dia do casamento, depois do almoço.

A sua noiva era uma filha de um milionário americano e tinha chegado há pouco tempo em Londres. Estava bem-disposta e de bom humor no dia do próprio casamento, mas ficou incomodada quando o seu ramo de flores caiu e um rapaz o devolveu. Quando chegou a casa, falou com a sua aia sobre uma transacção e foi almoçar. Pouco depois, retirou-se dando a desculpa de uma dor de cabeça e nunca mais apareceu.

Sherlock Holmes parte para as suas investigações e ainda tem de aturar o Lestrade que, pelos vistos, ainda não aprendeu que Holmes, na maior parte das vezes, resolve os casos mais rápido que ele.

A teoria de Lestrade: a noiva foi raptada por Flora Millar, que apareceu no almoço de casamento e fez um escândalo – um caso de ciúmes, portanto. Lestrade encontrou o vestido de noiva no rio com um bilhete no bolso que dizia para a noiva ir ter com F.H.M.

A teoria de Holmes: Flora Millar não tem nada a ver com o caso. E o bilhete que Lestrade encontrou era uma conta de hotel (um hotel muito caro) e no verso é que estava o recadinho.

Holmes saiu de casa para investigar o caso. À noite, em Baker Street estavam o Lord St. Simon, a sua noiva, e o marido da sua noiva – para além, claro, do próprio Holmes e de Watson. O caso é simples: a noiva de Lord St. Simon casou-se nos EUA e pouco depois pensou que o marido tinha morrido. Quando viu, na Igreja, que o marido estava realmente vivo, decidiu fugir com ele. Todavia, Sherlock Holmes aconselhou o casal a contar a verdade a Lord St. Simon.


As Faias Cor de Cobre – Este é mais um caso bastante singular mas que, ao princípio, pareceu ser tão banal que até enfadou Sherlock Holmes. Uma jovem que trabalhava como governante vai ao seu encontro para perguntar se deverá aceitar um emprego.

O motivo de consultar o detective apenas por isso é bastante razoável: na agência de empregos, um senhor insistiu para que aceitasse trabalhar na casa dele. Pagava 100 libras por ano, mas a rapariga teria de vestir certos vestidos, sentar-se em certos lugares e cortar o cabelo muito curto.

Holmes aconselha-a a aceitar o emprego e diz-lhe que quando houver qualquer problema para o contactar. Passados alguns dias, recebe um telegrama da jovem a pedir-lhe com urgência que vá ter com ela.

Assim sendo, ele e Watson vão ao encontro da jovem, que lhes conta o seu caso deveras invulgar. De uma maneira resumida, o que aconteceu foi o seguinte: os seus patrões disseram-lhe para vestir um vestido azul e para se sentar em frente à janela da sala, enquanto o seu patrão lhe contava umas histórias bastante engraçadas. Isto continuou até que um dia um rapaz parou em frente à janela e ficou a olhar para ela – e nada de mais aconteceu.

Quando a jovem estava no seu quarto a arrumar a sua roupa, descobriu numa gaveta da cómoda uma trança de cabelo, igual ao seu próprio cabelo – atónita, verificou a sua mala e viu que lá estava a sua trança. Ficou perturbada e curiosa, mas continuou com os seus trabalhos.

Uma vez, viu um dos outros empregados a entrar com um saco de comida numa parte “inabitada” da casa e, curiosa, foi para o jardim mas apenas verificou que as janelas estavam fechadas. Quando teve a oportunidade, foi para essa parte da casa, mas o seu patrão ameaçou que soltava o cão quando ela voltasse a entrar ali.

Holmes chegou à conclusão de que a filha do patrão da jovem estava trancada no quarto e, quando os donos da casa saíssem, ele, Watson e a governanta iriam salvá-la. Acontece é que a rapariga já tinha conseguido escapar, ajudada pelo seu noivo.

Porque é que a rapariga foi trancada? Simples, porque iria casar-se e o seu pai queria livrar-se do noivo para continuar a receber a herança da filha (mais uma vez, um crime movido pelo dinheiro). A governanta foi escolhida por se parecer com a filha do patrão e dar a parecer ao seu noivo que estava contente sem ele (daí as histórias hilariantes na janela, o vestido e o cabelo cortado).

O Signo dos Quatro, de Arthur Conan Doyle

20/07/2011


"Le mauvais goût mène au crime"
[O mau gosto leva ao crime]

Mais uma história de Sherlock Holmes aqui no blogue. É a única coisa que consigo ler no momento, portanto mais nos vale a todos começar a fazer amizade com o detective.

A história foi publicada em 1890 e foi feita por encomenda, por assim dizer. Em 1889, Joseph M. Stoddard, editor da Lippincott’s Monthly Magazine, pediu a Conan Doyle que fizesse a história. O pedido foi feito num jantar, no qual estava presente nada mais, nada menos que Oscar Wilde.

A história é sobre o quê? Para quem não leu, é sobre uma investigação de Sherlock Holmes – e isto não ajuda muito a quem não leu; mas quem não leu tem que a ler.

Mary Morstan pede a ajuda de Sherlock Holmes quando recebe uma carta “de um amigo desconhecido” a marcar um encontro, afirmando que “será feita justiça” pelos danos sofridos. O que se passa é que o pai de Mary desaparecera dez anos antes, e quatro anos após o seu desaparecimento, Mary começa a receber, todos os anos, uma pérola de grande valor.

Assim, perante esta situação estranha, o desaparecimento do seu pai, as pérolas e agora a carta misteriosa, a ajuda de Holmes é muito bem-vinda. Mary conta ao detective que o seu pai era oficial de um regimento indiano, 34º regimento de Infantaria de Bombaim, e que o seu único amigo em Londres era o major Sholto.

Holmes decide que é melhor atenderem ao encontro do amigo desconhecido, que se revela ser um dos filhos do major Sholto. Thaddeus Sholto conta então a sua história: o seu pai tinha roubado um tesouro valiosíssimo a Morstan e a mais quatro homens que estavam de vigia num forte em Agra, na Índia (entre eles um chamado Small). Quando Morstan morreu, tentou encontrar o paradeiro de Mary e enviar-lhe o que lhe pertencia (a parte do tesouro de Morstan). Naturalmente, o major Sholto tinha escondido o tesouro e morreu com esse segredo.

O tesouro foi encontrado pelo irmão gémeo de Thaddeus, Bartholomew. Portanto, Thaddeus decide ir ter com o irmão para entregar a Mary a sua parte. Quando Thaddeus chega à casa do irmão, juntamente com Holmes, Watson e Mary, encontram Bartholomew morto e descobrem que o tesouro foi roubado.

Cabe a Holmes, agora, descortinar quem matou Thaddeus e quem roubou o tesouro – o que não foi fácil, pois esteve quase a deixar escapar o criminoso. Já fiz alguns spoilers, mas é sempre bom explicar o título do livro: o Signo dos Quatro foi um pacto secreto, da divisão de um tesouro por quatro homens (sim, esses mesmos quatro homens que o major Sholto ludibriou).

Uma vez mais, Sherlock Holmes resolve o caso e fica sem quaisquer créditos – mas resta-lhe “sempre a expectativa de recomeçar, a cada momento, um novo caso”.

*Imagem retirada do google.
**Info sobre a publicação do livro vista na wikipédia.
***Download do livro (com um prefácio excelente) pode ser feito aqui.

Um Estudo em Vermelho, de Arthur Conan Doyle

27/06/2011


Já muitos outros têm desejado saber como é que ele descobre as coisas. Aposto que ele há-de descobrir mais coisas a seu respeito do que você a respeito dele.

O mundo ficou a conhecer Sherlock Holmes em 1887 e, desde aí, tornou-se um lugarejo melhor. Talvez não tivesse ficado um lugarejo melhor, mas por certo que ficou mais interessante.

Como todos nós sabemos, e nunca é demais repetir, Um Estudo em Vermelho foi, como se costuma dizer, onde tudo começou. Por outras palavras: a primeira história de Sherlock Holmes e do seu fiel companheiro Dr. Watson.

E como é que exactamente isso começou? Quando o Dr. Watson regressa do Afeganistão e procura casa em Londres. Por acaso, encontra um amigo seu que, por acaso, conhece Sherlock Holmes que, por acaso, procura alguém para dividir as despesas dum apartamento. Vejam, os acasos ajudam imenso uma pessoa. E é assim que o 221-B da Baker Street se torna famoso.

Novamente, a história é-nos contada por Watson. E, talvez pelo facto de esta ser a primeira história, grande parte dela é centrada nas descrições de Sherlock Holmes: dos seus métodos (que Watson acha uma barbaridade até ser confrontado com eles), dos seus conhecimentos, da sua presunção, da sua personalidade, do seu génio, como ninguém lhe reconhece o mérito…
“- Veja – explicou-me: - Considero o cérebro de um homem como sendo inicialmente um sótão vazio, que você deve mobilar conforme tenha resolvido. Um tolo atulha-o com quanto traste vai encontrando à mão, de maneira que os conhecimentos de alguma utilidade para ele foram soterrados ou, na melhor das hipóteses, tão escondidos entre as demais coisas que é difícil alcançá-los. Um trabalhador especializado, pelo contrário, é muito cuidadoso com o que leva para o sótão da sua cabeça. Não quererá mais nada além dos instrumentos que possam ajudar o seu trabalho; destes é que possui uma larga provisão, e todos na mais perfeita ordem. É um erro pensar que o dito quartinho tem paredes elásticas e pode ser distendido à vontade. Segundo as suas dimensões, há sempre um momento em que para cada nova entrada de um conhecimento a gente esquece qualquer coisa que sabia antes. Consequentemente, é da maior importância não ter factos inúteis a ocupar o espaço dos úteis.”
A história da investigação começa quando encontram um corpo numa casa vazia, sem ferimentos, sem sinais de luta, apenas com manchas de sangue e a palavra RACHE escrita na parede. Gregson, que está a resolver o caso com Lestrade, pede a ajuda de Holmes. Um problema intrincado? Não para Holmes.
… um estudo em vermelho, não? Por que não usarmos um pouco a linguagem artística? Na meada incolor da vida corre o fio vermelho do crime, e o nosso dever consiste em desenredá-lo, isolá-lo e expô-lo em toda a sua extensão.
Arthur Conan Doyle inspirou-se, talvez, em Dupin, de Edgar Allan Poe (considerado o primeiro detective literário, que tinha o bom senso de reparar nos mais ínfimos pormenores) e essa mesma referência é feita no livro:
- Você faz-me lembrar o Dupin, de Edgar Allan Poe. Não fazia a menor ideia de que tais pessoas existissem na vida real.
O livro está dividido em duas partes, sendo a primeira relativa à investigação de Holmes e à captura do assassino, e a segunda a história do assassino e da vítima e como Holmes o apanhou.

Mais um caso resolvido por Sherlock Holmes. 

*Imagem retirada do Google.

Memórias de Sherlock Holmes (I) , de Arthur Conan Doyle

10/05/2011

"A tarefa de todo o homem é zelar pela justiça."

Mais um livro da colecção Sherlock Holmes, desta vez das suas Memórias. Como informações sobre Arthur Conan Doyle e as histórias de Sherlock Holmes já foram aqui ditas, não vale a pena estar a repeti-las, pelo que passo desde logo a falar das narrativas presentes neste volume.

Neste primeiro volume das Memórias de Sherlock Holmes estão presentes quatro histórias: O Problema Final, O Paciente Internado, O Enigma de Reigate e O Corcunda. Mais uma vez, as histórias são narradas pelo Dr. Watson.

O Problema Final: nesta história, Arthur Conan Doyle decidiu dar um fim a Sherlock Holmes para se dedicar a outros projectos, nomeadamente aos romances históricos. Como seria de prever, o público não ficou nada agradado com isto, pelo que o escritor fez “renascer” Holmes, que forjou a sua morte para não ser perseguido pelos seus inimigos.

Neste problema final, Holmes tenta prender Moriarty, o único ser que é tão inteligente quanto o detective. “Nunca me elevei a tal altura e nunca estive tão duramente cercado por um adversário”, confessa Holmes. O detective consegue arranjar uma encruzilhada, mas tanto ele como Moriarty acabam por morrer ao cair num precipício, na Suíça (o que está ilustrado na imagem).

O Paciente Internado: Holmes descobre que, afinal, o suicídio de Blessington foi um homicídio. O detective é chamado pelo médico de Blessington, que acha o caso estranho. Afinal, Blessington foi assassinado devido a uma vingança.

O Enigma de Reigate: Holmes vai recuperar energias para a casa do coronel Hayter, amigo de Watson. Sherlock Holmes tenta descansar, mas inevitavelmente interessa-se pelo caso de um assalto na casa de Acton. Pouco depois Hayter recebe a notícia da morte do cocheiro dos Cunninghams, uma das famílias mais ricas do local. Um assalto é o cenário mais provável, mas Holmes descobre o verdadeiro assassino. Nesta história podemos ver verdadeiramente a técnica de Holmes, as suas deduções e os seus engenhos e artimanhas (fingir ter um ataque, por exemplo) para resolver o crime – neste caso, com um pedaço de papel rasgado encontrado na mão do morto.

O Corcunda: todos os factos indicam que o Coronel Barclay foi assassinado, sendo a sua mulher a principal suspeita, já que discutiram antes do terrível acontecimento. Sherlock Holmes, como sempre, investiga o caso, interroga algumas pessoas, faz umas deduções aqui e ali e consegue desvendar o mistério (que não vou revelar qual é…).

*Claro está que os resumos aqui presentes são míseros (apesar de demonstrarem a minha excelente capacidade de condensar uma história em meia dúzia de linhas), mas seria realmente aborrecido estar a fazer spoilers neste tipo de narrativa.
**Se os amados leitores quiserem saber os meios e os fins das narrativas, é só clicar nos respectivos títulos para lerem as mesmas (mais uma vez, com ilustrações).
***Estas histórias fazem parte do conjunto de contos "Memórias de Sherlock Holmes". Na colecção da Global Notícias, é o volume 2 (Memórias de Sherlock Holmes I).

Aventuras de Sherlock Holmes (I), de Arthur Conan Doyle

05/05/2011


“Onde não está a graça de Deus, aparece Sherlock Holmes.”

O nome Arthur Conan Doyle talvez só chame a atenção ao mais atento dos leitores, porém o nome da personagem por ele criada todos nós o conhecemos: Sherlock Holmes, o mais famoso dos detectives (e uma das poucas personagens a ter uma estátua, diga-se).

Arthur Conan Doyle, o génio que idealizou Holmes, nasceu em 1859 e, para além de escritor, foi também médico. Criou o tão famoso Sherlock Holmes e também as mais variadas obras, de não ficção, ficção científica e poesia a romances históricos. Por ter participado na Guerra dos Boers, foi distinguido com o título de Sir em 1902.

Sherlock Holmes apareceu primeiramente em revistas e só depois foi publicado em livros, dentro destes as Aventuras de Sherlock Holmes.

O conjunto de livros que tenho é uma colecção oferecida pelo Jornal de Notícias há aproximadamente dois anos (mas sendo eu como sou, naturalmente que só a comecei a ler recentemente), dividida em 12 volumes. A colecção não tem as 60 histórias de Holmes, tem 34, mas é óptima para quem quer começar a interessar-se pelo detective.

A colecção não está organizada cronologicamente (ou seja, pela ordem com que as histórias foram publicadas originalmente), pelo que a leitura seguida da mesma se pode tornar algo confusa devido a referências a outras histórias. O melhor a fazer, portanto, é realizar uma pesquisa pela internet e organizar os livros e, dento deles, os contos, pela ordem cronológica.

Neste primeiro volume das Aventuras de Sherlock Holmes estão presentes as histórias Um Escândalo na Boémia, O Mistério do Vale Boscombe e O Carbúnculo Azul. Como é de conhecimento de todos, estas mesmas histórias são narradas pelo amigo de Holmes, também biógrafo, Dr. Watson.

Não menos conhecidos são os métodos do detective, que chega a descobrir tudo através duma simples dedução, conseguida com observações: não nos esqueçamos que “era a mais perfeita máquina de raciocinar e observar que o mundo jamais viu”.

Um Escândalo na Boémia: Wilhelm Gottsreich Sigismond von Ormstein, Grão-Duque de Casell-Felstein, rei hereditário da Boémia pede ajuda a Sherlock Holmes para que a sua amante lhe devolva uma fotografia comprometedora. O caso fica resolvido mas sem o rei recuperar propriamente a fotografia.

O Mistério do Vale Boscombe: Charles McCarthy foi encontrado morto e o seu filho é incriminado (tudo indicava que tivesse sido ele o assassino). Holmes, através da análise dos factos sem qualquer ideia pré-concebida, chega a encontrar o verdadeiro culpado, que é o vizinho da vítima.

O Carbúnculo Azul: uma jóia extremamente valiosa que foi roubada é escondida numa ave, que é vendida por engano, sendo o principal suspeito um canalizador (que foi arranjar o quarto de hotel onde a dona da jóia estava hospedada). Sherlock Holmes descobre o verdadeiro bandido, todavia deixa-o solto, uma vez que o inicialmente suspeito não corre perigo.

*Imagem: estátua de Sherlock Holmes.
**Os títulos das histórias são links para lerem as mesmas. São links muito proveitosos, uma vez que as histórias têm ilustrações.
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