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Citações retiradas de Werther, de Goethe

04/05/2012

Imagem daqui.
Oh!, o que é o homem para que se atreva a queixar-se de si próprio! Caro amigo, prometo-te, corrigir-me-ei, nunca mais quero, como sempre fiz, saborear até à última gota o amargor que nos reserva a sorte. Gozarei o presente, e o passado será para mim o passado.
Desgraçado do que se atreva a dizer: insensata!, se esperasse, se deixasse correr o tempo, o seu desespero ter-se-ia acalmado, em breve ela encontraria um consolador. É como se se dissesse: insensata que morreu de uma febre!, se esperasse que lhe voltassem as forças, que o seu sangue se purificasse, tudo se restabeleceria e ainda hoje viveria. (…) O homem é sempre o homem, a pequena dose de senso que este tem mais que aquele pouco pesa na balança, quando as paixões fervilham e se faz sentir o limite imposto à humanidade.
Mesmo os esforços que faço para me lembrar e traduzir esses inexprimíveis sentimentos, elevando a minha alma acima de si própria, fazem-me duplamente sentir os tormentos da situação em que me encontro agora.
Que mudança! Então com feliz ignorância me lançava cheio de desejos para esse mundo ignoto e contava vir a dar ao meu coração tantos prazeres que deviam enchê-lo até às bordas. Agora regressava desse mundo. Ó meu amigo!, quantos planos destruídos!
Não sou eu o único a lamentar. Todos os homens são ludibriados nas suas esperanças, iludidos na sua expectativa.
Mas para quê?, porque não conservar em mim o que me aflige, e que me torna desgraçado?, porque afligir-te também?, para quê dar-te sempre motivo de me lamentares e de me ralhares?
Oh!, não ser eu um maníaco!, não acusar eu o tempo, um terceiro, uma empresa falhada! Então, o insuportável fardo das minhas mágoas, não me pesaria tanto. Desgraçado que sou! Sinto, e bem demasiado, que a culpa é toda minha!
…no terrível momento em que todo o meu ser treme entre a existência e o nada, em que o passado reluz como um relâmpago sobre o sombrio abismo do futuro, em que tudo o que me rodeia se desmorona, em que o mundo fenece comigo.

Werther, de Goethe

09/04/2012

Werter com a sua amada, Carlota, e uma das suas irmãs

Apesar de a estética romântica não me ser muito familiar (sou adepta frenética do realismo), achei este livro de Goethe uma obra-prima. Para quem não se lembra ou não sabe: o romantismo é um estilo centrado no indivíduo, na emoção (que é imensa), no subjectivismo (retratando os pontos de vista do indivíduo) e normalmente as histórias centram-se em amores trágicos, ou seja, não correspondidos – pelo menos nos livros que li.

Segundo a wikipedia, fonte primária que nos aparece na pesquisa do também meritório Google, o romantismo divide-se em três fases essenciais: a primeira, em que o amor, isto é, a mulher era desejada mas, por sua vez, os sentimentos não eram recíprocos. Na benfeitora  segunda fase, o amor era conseguido, porém não existia felicidade. A terceira fase, que não interessa para este texto, tende já para o realismo.

Posto isto, já sabemos como um livro romântico vai acabar: o amor não é correspondido ou, se é, há circunstâncias que impedem que o casal esteja junto, e no fim morre alguém. Simples. Para a minha pessoa, isto é um ponto a favor, pois sofro de ansiedade e não perdi tempo a ler as últimas páginas pouco depois de começar a ler o livro.

[O texto a partir daqui tem spoilers.]

A história já ficou resumida no parágrafo acima. Werther é um jovem que se apaixona mortalmente (atentem-se neste advérbio) por uma rapariga que já está comprometida. Fica bastante amigo dela e, curiosamente, também do seu noivo. Naturalmente, o amor não é correspondido e Werther a cada dia fica mais deprimido e soturno – fazendo sofrer, igualmente, os seus amigos. Eu conto já o final: Werther suicida-se com um tiro na cabeça, e ainda chega a sofrer nos seus derradeiros momentos, pois não morreu de imediato.

A morte de Werther

O sofrimento do jovem é inexprimível, o que é o que torna este livro excepcional – porque as descrições do mesmo são sublimes, lindíssimas. Só lendo é que se chega a sentir o que o Goethe descreve (e falava do que sabia, já que, pelos vistos, o livro tem um carácter autobiográfico).

Confesso que foi inevitável relacionar-me com a personagem principal desta obra. Bem sei que o que é relatado no livro, esses sentimentos universais e que todo o ser humano sente pelo menos uma vez a vida, aplicam-se a todos os que se dedicarem a ler o livro.

Porém, esses sentimentos de tristeza e melancolia são tão magistralmente descritos, que simplesmente não os podemos tratar como quaisquer bagatelas que se encontram nos livros de adolescentes.

Mesmo supondo que eu estivesse feliz, ao ler o livro lembrar-me-ia de algum desgostoso ocorrido, passando eu mesma a ficar com esses sentimentos lúgubres – por isso que Werther pediu ao seu amigo que não lhe enviasse os seus livros, que estava bem sem eles.

Uma perspectiva interessante, esta – mas que prova que um livro pode influenciar o nosso estado de espírito. Por outras palavras: os livros são capazes de trazer à tona memórias, quer sejam miseráveis, quer sejam alegres; ou ainda são capazes de nos desviar da realidade.

É por este último aspecto que acredito piamente que uma pessoa triste pode ler um livro deprimente (no bom sentido, isto é, no sentimento que transmite), pois foge à sua realidade. De qualquer maneira, este é o meu caso e, portanto, esta é a minha opinião – não sendo, assim, nenhuma regra de ouro que sirva de guia.

Voltando à história do Werther, apenas vou acabar o texto ao referir que o livro é composto por várias cartas e, no final, por uma pequena narrativa das suas últimas acções. Será escusado dizer que a escrita de Goethe é formidável, de fazer qualquer pessoa ficar com lágrimas nos olhos. 

*Imagens encontradas numa pesquisa do google - maneira de dizer que não me lembro dos sítios concretos onde as fui buscar...
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